Sabatina NV: Marília Arraes detalha plano de gestão e diz que governo do PSB usou recurso para negociar apoio político

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Visando contribuir com o voto consciente da população do Sertão do São Francisco, o programa Nossa Voz iniciou hoje (16) a rodada de entrevista com os candidatos e candidatas ao governo de Pernambuco. A primeira a ser sabatinada foi a candidata do Solidariedade, Marília Arraes. Ao cumprimentar a audiência do programa, ela fez questão de citar o prefeito de Cabrobó, Galego de Nanai, seu aliado na região. 

Marília, que iniciou a campanha de rua na comunidade de Roda de Fogo, no Recife, detalhou suas propostas para o Sertão e apontou melhorias no setor de saúde como uma das suas prioridades. Ela também criticou o fato do governador Paulo Câmara ter prometido nas duas eleições (2014 e 2018) a construção do Hospital da Mulher em Petrolina, mas a proposta nunca saiu do papel. a candidata a governadora entretanto, reavaliou as demandas da região e por isso propõe a implantação de uma unidade hospitalar que possa atender a média e a alta complexidade, mantendo o Hospital Dom Malan como referência materno-infantil. 

“O que é que nós identificamos? Que não basta a construção de um Hospital da Mulher. O que a gente quer e vai fazer é um  hospital para atender a média e alta complexidade e o Dom Malan, que já foi reformado, vai atender ao materno-infantil. E é essencial  que haja esse grande hospital em Petrolina para desafogar a demanda de Petrolina do resto do estado. Um dos grandes problemas hoje, em relação à saúde, é a centralização”, apontou. 

Segundo Arraes, a expectativa é que, com a construção do Hospital Geral de Petrolina, assim como a inauguração do Hospital Geral do Sertão, em Serra Talhada, seja possível reduzir as demandas do tratamento fora de domicílio. “Hoje a gente vê pessoas de todo o Pernambuco em cima de um TFD, vindo para o Recife, indo para outros lugares, para se tratar. A gente precisa diminuir essas distâncias, encurtar essas distâncias para que as pessoas possam se tratar perto de casa”, afirmou destacando ainda as propostas de construção de mais UPAS em Petrolina. “Em Caruaru tem seis”, lembrou. 

 Os problemas relativos às estradas no estado também foram citados pela candidata que lamentou a falta de investimentos da atual gestão. De acordo com Marília, 90% das estradas estaduais estão em situação ruim ou péssima e entre as 10 piores estruturas do país, três estão em Pernambuco. “Não são dados da nossa cabeça, são dados da Confederação Nacional de Transporte”, reforçou. “Na região do São Francisco não é diferente. Nós temos, por exemplo, a PE 633, a Estrada da Banana como é conhecida, que é uma das piores e é uma das maiores reclamações que a gente resolve. Além disso, a PE 630, há muitos anos, desde que comecei a andar o Estado falando deste projeto de mudança para Pernambuco que a gente é  abordado sobre a PE 630 que tem uma importância econômica enorme para a região, que liga duas regiões. Que liga o Sertão do São Francisco ao Sertão do Araripe e tem uma importância econômica real. São quase 150 km de extensão, mas que com planejamento, com a priorização, já teria sido feita. É outra obra que a gente vê a cada eleição ser dada a ordem de serviço a cada eleição e não se vê sequer as etapas serem cumpridas”, alfinetou. 

Sobre a demora na recuperação das estradas de acesso aos núcleos do Perímetro Irrigado de Petrolina, onde a gestão Paulo Câmara passou anos transferindo a responsabilidade para o governo federal, Marília reforça a necessidade de priorização. “Jogo de empurra não existe apenas nessa questão das estradas existem muitas questões no governo do estado. Porque quem não quer resolver os problemas, quem não tem  condições de resolver realmente faz isso, sai culpando A, B, C. É a Codevasf, Governo Federal, Prefeitura, daqui a pouco estão culpando o povo de Pernambuco. Na verdade, o que precisa ser feito é uma avaliação, um planejamento, uma avaliação de qual é o papel, a função de uma rodovia dessa. E aí fazer o plano de priorização. Mas o que tem sido feito? O governo do estado estava em caixa com R$ 5 bilhões para investimento que é um valor alto, principalmente em relação aos últimos anos porque Pernambuco passou esses últimos oito anos praticamente oito anos, só pagando folha e o governo dizendo como se isso fosse o máximo, quando na verdade era simplesmente a obrigação”. 

A candidata a governadora ainda denuncia o uso político partidário na destinação de recursos. “Qual o papel socioeconômico de cada rodovia dessas? Mas o que o governo fez, e eu não estou inventando e nem contando boatos não, prefeitos já foram para a mídia para dizer que só declararam apoio ao candidato do governador depois que o dinheiro do convênio entrou na conta. Por quê? Pegaram esse recurso e saíram negociando apoio político. (…) As rodovias vão entrar no plano de priorização e vamos ter metas para cumprir e sem  dúvida alguma vai melhorar nos primeiros dois anos de governo, vamos dar uma resposta eficiente à população  e tenho certeza de que isso vai dar um impacto grande na economia de Pernambuco e na qualidade de vida das pessoas”, assegurou. 

Entre as ações voltadas para a segurança pública, Marília Arraes propõe um enfrentamento da violência partindo de uma melhor estruturação das forças policiais. Entre os fatores que causaram o aumento da violência em Pernambuco então a desatualização do Pacto pela Vida, implantado na gestão de Eduardo Campos. As medidas impactaram positivamente no início, mas não contaram com as devidas atualizações, segundo a candidata. 

“Nenhuma política pública se mantém por 16 anos, sem uma atualização. Foi importante porque introduziu metas, gestão por resultados, mas começou a gerir mal os indicadores e gerou várias distorções, como por exemplo, a questão da pontuação que se dava, até pouco tempo atrás depois da gente começar um processo de cobrança muito grande, ao crime de estupro. Naquela época e até dois, três meses atrás, o delegado que procedesse o inquérito para apreender três, quatro pedras de crack, recebia uma pontuação maior do que um delegado que procedesse ao inquérito de estupro”, relatou.

Entre as outras propostas previstas no seu plano de governo, Marília também citou a aproximação da polícia com as comunidades através da criação de 400 centros de segurança comunitária. A candidata também planeja o aumento dos efetivos e a motivação dos grupos operativos (integrantes das Polícia Civil e Polícia Militar). Além disso, há a meta de extinção das faixas salariais presentes na Polícia Militar de Pernambuco. Instituídas em 2017 pelo governador Paulo Câmara (PSB), elas são motivo de críticas da categoria por impor desigualdades entre militares que ocupam um mesmo posto.

“É importante dizer que tem muitos candidatos dizendo que vai acabar com as faixas e eu quero me comprometer com eles e estou fazendo um compromisso sério.  A gente vai acabar com as faixas sim, tanto nos ativos, quanto nos inativos, mas vamos apresentar um plano factível, que é possível cumprir, para progressivamente, ao longo dos quatro anos a gente ir acabando com as faixas. Ninguém vai conseguir chegar do dia para a noite, estalar o dedo e acabar com as faixas que Paulo Câmara instituiu e que gera uma distorção e uma injustiça”. 

Investimentos também serão feitos nas unidades prisionais, segundo a candidata. “Não dá para combater o crime organizado, tem que haver uma melhor gestão em relação aos presídios de Pernambuco”. 

Marília ainda prega a integração das Guardas Civis Municipais às demais forças de segurança e o uso dos recursos do Sistema Único de Segurança Pública para equipar esses efetivos. 

Além das propostas listadas, Arraes aposta nas medidas preventivas para o recuo da violência em Pernambuco. “Em oito anos de governo você forma uma geração, uma criança que entrar com nove anos na escola, vai sair com 17 anos e você pode ensinar aquela menina, aquele menino, o que é a violência. A menina vai poder identificar aquela violência. A gente tem hoje em Pernambuco a cada quatro ou cinco dias, uma mulher ser assassinada pelo simples fato de ser mulher. Essa mulher passou por outras violências, seja psicológica, patrimonial ou física. Ela já viu a mãe passando por isso, então tem que haver um processo de prevenção, de conscientização, para que a gente crie mulheres que não aceitam ser agredidas, que tem possibilidade de não aceitar que sejam agredidas, que sejam independentes e homens que saibam que não podem ser agressores porque vão ser punidos”, planejou, reforçando o compromisso de aumentar o número de delegacias especializadas, implantação da Delegacia da Mulher itinerante e a promoção da qualificação de todos os profissionais em delegacias mesmo que não sejam as especializadas para a devida acolhida das vítimas. “Porque em Pernambuco a tolerância em relação a violência contra a mulher vai ser zero”, finalizou.