Marília prega união total e desapego ideológico para vencer em 2022: “Nos últimos anos não é o PSB ganhando, é a oposição perdendo”

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Matemática é ciência exata e para a deputada federal, Marília Arraes (PT), o cálculo é bem simples. Para vencer o PSB na disputa pelo governo de Pernambuco, os partidos de oposição devem abrir mão das diretrizes nacionais unindo-se em um único palanque em 2022. Porém, ao analisar as variáveis a situação não é tão simples. A petista considera precoce a escolha de um pré-candidato este ano, como defendeu o deputado estadual Antônio Coelho (DEM) e destacou que Partido Socialista se fortalece na desunião dos seus opositores.  

“Novembro é muito cedo para a conjuntura política que a gente está vivendo. Acho que a oposição precisa se organizar mais. O que a gente tem visto nos últimos anos não é o PSB ganhando, é a oposição perdendo. Então, ou se tem uma estratégia realmente boa para ganhar do PSB, para enfrentar a estrutura, a máquina, a avalanche de coisas que o PSB ou então vai continuar perdendo pelos próximos 20 anos. Já vão 16 e eu não acho difícil que aconteçam aí mais 15, mais 20, mais 30 anos de PSB se a gente continuar cometendo os mesmos erros”, conceituou.

De acordo com a deputada, apesar da lista contendo vários nomes como o prefeito de Petrolina, Miguel Coelho (MDB), o prefeito de Jaboatão dos Guararapes, Anderson Ferreira (PL), Raquel Lyra (PSDB), no grupo que reúne as legendas de Centro-Direita e a própria Marília e senador Humberto Costa (PT) na Esquerda, a aliança seria possível. “Acho que temos nomes, a oposição tem muitos nomes que podem se unir contra do PSB. Do jeito que há uma frente ampla contra Bolsonaro, pode haver uma frente ampla contra o PSB, mas tem havido dificuldade de relacionar e separar a política nacional da local. E o PSB, é engraçado, não tem nenhuma dificuldade de fazer isso. Em 2020 está lá batendo em Lula, um ano antes, estava indo atrás dele para o PT não ter candidato no Recife e depois foi lá, bateu em Lula e no PT, sem nenhum pudor. E agora está indo atrás de Lula novamente”.

No cardápio da petista, a receita para dar liga contém “concessões”. “Acho que tem que ter certas concessões de todos os lados e ter uma boa articulação. Acho que a oposição deve ser feita dentro do palanque do presidente Lula que tem quase 70% dos votos no Estado. Durante a campanha, é capaz de chegar a mais de 80%. Então, não faz sentido ter um candidato a governador de oposição que seja oposição ao presidente Lula. O PSB já notou isso, tanto é que está indo atrás dele. Por que é que a oposição não nota?”

Ciente da atual resistência, Marília sabe que não será fácil. “Isso leva um tempo para discutir, conversar, chegar às conclusões dentro da própria oposição. A conjuntura nacional para se acomodar, ter um norte, quem é que vai ficar realmente com Bolsonaro? Quem vai deixar o palanque de Bolsonaro? Porque do jeito que está, com o governo se acabando, muita gente vai sair. Então, acho que tudo isso tem que ser discutido com muita calma, com muita temperança, até porque isso vai impactar numa geração de políticos de Pernambuco. Se o PSB ficar mais 20 anos, serão 20 anos de renovação do lado do PSB e a oposição, como vai se comportar em relação a isso?”

Defendendo cautela entre os integrantes da oposição, Arraes relembra a eleição municipal do Recife e espera que todos tenham aprendido a lição. “Acho muito complexo definir nome de A, B, ou C. Tem-se discutir o conceito, como será feita a campanha e eu defendo uma boa estratégia. Por exemplo, no Recife, se tivéssemos ganhado a capital, com certeza o rumo político, a conjuntura política teria sido diferente. E o que a oposição em geral fez para isso? Nada. Eu estava isolada no primeiro turno, no 2° turno continuei isolada com apoio pontual de um ou outro. Não houve uma frente de oposição para enfrentar o PSB, para me ajudar a enfrentar o antipetismo. Então isso dificultou ainda mais se ganhar a eleição do PSB. Foi um erro cometido, uma chance perdida, espero que a gente não perca as próximas”.