Comissão revisa ata de sessão, mas líder insiste: “Chamou todos de hipócritas, criminosos e bandidos”

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Ao abrir a sessão ordinária desta terça-feira (11), os integrantes da Câmara Municipal  de Petrolina acompanharam a apresentação de um relatório elaborado pela Comissão Temporária, designada pela portaria n° 015/2021,sobre a redação da ata do dia 27 de abril. Na ocasião, o vereador Gilmar Santos (PT) levantou questionamentos sobre o trecho apresentando como transcrição do seu discurso, alegando uma interpretação equivocada do pronunciamento. Nele, haveria uma generalização de um julgamento de valor que nivelaria os religiosos de Petrolina ao conceito de “hipócritas”, porém não essa a sua intenção. 
“Na sessão anterior, quando na leitura da ata, houve a contestação do vereador Gilmar Santos, colocando que algumas palavras colocadas em ata, ele não havia proferido, com parte dos evangélicos. E coloquei uma portaria, nomeando três vereadores para que pudessem acompanhar esse caso, ouvir o áudio da sessão anterior e fazer um relatório, que foi feito. Gostaria que aqui, na presença de todos, agradecer ao vereador presidente da Comissão de Constituição e Justiça, Wenderson Batista, agradecer ao nosso primeiro-secretário, o vereador Rodrigo Araújo, como também agradecer ao nosso segundo-secretário, Capitão Alencar, que de pronto, tomaram apara si a missão, ouviram, se reuniram o relatório”, explicou o presidente da mesa diretora, Aero Cruz. Ainda segundo o presidente, o documento apresentando à Casa será anexado a ata em questão como medida de correção.

O vereador Capitão Alencar fez a apresentação das conclusões alcançadas ela comissão na tribuna. Após a transcrição dos discursos dos protagonistas do embate em questão, os vereadores Ronaldo Silva e Gilmar Santos. “Eu, Wenderson Batista e Rodrigo trabalhamos, conversamos, discutimos e concluímos, caso o plenário aprove, que deve ser retirado e deve-se fazer um adendo, um aditivo à ata do dia 27, retirando-se essa expressão, colocando-se que parte dos evangélicos que votaram no presidente Jair Messias Bolsonaro são criminosos e não a expressão bandidos. Quando a expressão hipócritas, essa comissão também entende que deve ser retirada de toda ata porque realmente quando ele fala hipócritas se refere ao versículo bíblico. A gente não pode, quando comissão, entrar na subjetividade do vereador Gilmar Santos. (…) Esse dizer indireto não cabe a essa comissão aferir”, reforçou Alencar.

Ronaldo Silva ouviu atentamente os argumentos elencados pelos integrantes da comissão e, apesar de elogiar o trabalho desempenhado, discordou da alteração proposta no documento. “Quando ele diz ‘hipocrisia’ eu quero dizer que ele chamou os evangélicos de hipócritas. Quem faz hipocrisia o que é? É artista? É Padre? [O vereador Gilmar Santos] realmente não chamou a palavra bandido mas chamou de  criminoso (…) A comissão está de parabéns por fazer um papel que se deve ser feito.  As palavras que eu disse ele falou, indiretamente, chamando todos de hipócritas, criminosos e bandidos, de todos os adjetivos”, reafirmou Silva. 

Em sua defesa, o vereador Gilmar Santos assegurou seu compromisso com a defesa da população, por uma sociedade igualitária e comprimento da Constituição Federal de 1988. Santos lamentou que, diante de tantos problemas vivenciados pela população de Petrolina, existisse a necessidade de despender de tempo para debater o que ele classificou como “inverdade”.  “Lamento muito por nós termos aqui, diante de tantos desafios enfrentados pela população de Petrolina, ter que parar para analisar uma inverdade, para fazer média com o meio evangélico e não para afirmar a verdade. Assim como é lamentável a gente ter que, de alguma forma, forçar a barra para tentar distorcer as minhas falar diante de uma crítica que eu faço de maneira geral. Não é direcionada pessoalmente para o senhor, agora é muito estranho quando alguém veste a carapuça”, rebateu Gilmar.

Outros vereadores tentaram interferir e opinar sobre a situação, mas foram barrados pelo presidente da Casa, Aero Cruz. “Nós não estamos aqui fazendo questão de discutir se o evangélico é bom e o católico que é ruim. Não estamos aqui para isso.  Gostaria de pedir a compreensão de cada um aqui. O evangélico não tem mais direito do que quem é católico, o católico não tem mais direito que o evangélico, que não tem mais direito de quem é umbandista. Nós estamos discutindo um relatório da Comissão da portaria que nós colocamos para que resolver essa situação de vez por todas”, delimitou Cruz. 

O posicionamento do presidente foi elogiada pelo vereador Wenderson Batista, que compôs a comissão permanente e chamou a atenção dos colegas sobre as discussões desnecessárias.  “Eu quero parabenizar o presidente da mesa que realmente é hora de ter pulso, tem que bater na mesa mesmo.  Bandidos tem da igreja ao cabaré. (…) Nós temos que trabalhar aqui as políticas propositivas, enriquecendo os discurso. Tem que acabar com essa baixaria”, disparou Batista.